Um conjunto de medidas operacionais integra o planejamento de ações que busca atenuar, de forma preventiva, os efeitos do aumento do consumo de água tratada no verão em Penha. Desenvolvido pela concessionária Águas de Penha, o plano busca amenizar transtornos durante a alta temporada, quando a cidade recebe milhares de visitantes. “Pelo menos enquanto Penha não possuir o sistema de abastecimento próprio, que é a solução para os efeitos da alta demanda em janeiro e fevereiro”, pontua a gestora operacional da Águas de Penha, Fernanda Barreto.

Entre as ações anunciadas estão a perfuração e ativação de quatro poços artesianos. Uma destas obras é a perfuração do Poço Santa Clara 3, onde a concessionária realizou um estudo hidrogeológico da área para definir o lugar com possibilidade de encontrar água. O poço será perfurado em uma área da prefeitura, localizado na rua Sérgio Gentil Serpa.  Atualmente a concessionária aguarda o termo de cessão da prefeitura para realizar a obra. “É uma atribuição do Executivo Municipal o fornecimento do local adequando”, lembra Fernanda. Para agilizar o processo, toda a documentação foi providenciada pela Águas de Penha. Depois que conseguir o termo, a obra deve levar cerca de 60 dias para ficar pronta.

A concessionária também retomou a utilização do reservatório do Bairro Santa Lídia de 20 mil litros depois que ele passou por um trabalho de limpeza e manutenção. O bairro também ganhou um booster – bomba colocada na rede que tem como função aumentar a pressão e a vazão de água. A melhoria garantirá maior pressão na distribuição para as famílias da redondeza.

As medidas envolvem ainda a troca de parte da rede de 300 milímetros na rua Nereu de Assis, na Praia da Armação, e a instalação de um equipamento de manobra no reservatório do Morro do Ouro. Também estão em estudo a reativação ou perfuração de poços nos bairros São Miguel, Morro do Ouro e no Parque Beto Carrero World. A gestora operacional da concessionária entende que o poço do Beto Carrero pode ajudar a resolver o problema em uma das regiões que mais sofre com desabastecimento. A direção do parque já indicou que irá permitir o uso do poço na temporada de verão.

Soma-se às obras de perfuração de poços, a construção de um reservatório com capacidade para armazenar 2 milhões de litros de água. Apesar de ser uma obrigação contratual da prefeitura, a concessionária está negociando a compra de um terreno que fica no bairro Mariscal para construir a estrutura, que tem previsão de entrar em funcionamento ainda este ano.

Setorização

Outra melhoria prevista para amenizar os efeitos da temporada de verão é a instalação de equipamentos de manobra que permitirão fazer um rodízio do fornecimento nos períodos de escassez. A manobra vai assegurar que as residências sejam abastecidas sazonalmente em horários pré-estabelecidos. Desta forma, os efeitos da falta de água para os imóveis que possuírem a reservação adequada serão menores. O volume reservado sugerido pela Águas de Penha para uso doméstico deve ser de 1 mil litros para uma família de 4 pessoas, por exemplo.

A concessionária também já realizou várias reuniões com o corpo técnico da Casan (Companhia Catarinense de Saneamento) a fim de oferecer apoio operacional e econômico para melhorar a capacidade produtiva da ETA de Balneário Piçarras, que atualmente também fornece água para Penha.

Saiba mais

  A solução definitiva para o problema de desabastecimento em algumas regiões de Penha na alta temporada – em especial entre o Natal e Ano Novo – é a construção do sistema produtor próprio de água. Todos os projetos da nova Estação de Tratamento de Água (ETA) já foram finalizados, mas, para que a obra avance, precisa-se da Licença Ambiental Prévia (LAP), e da indicação do terreno onde deve ser construída a estação, ambos de responsabilidade da Prefeitura de Penha.

O projeto do sistema de abastecimento próprio prevê a captação no Rio Luiz Alves. A estrutura contará com poço para bombas submersíveis, gradeamento, caixa de areia e uma estação de recalque de água bruta (ERAB). O sistema também contará com uma adutora com diâmetro de 500 milímetros e aproximadamente 22 quilômetros de extensão. A água bruta será levada à Estação de Tratamento de Água (ETA) com capacidade para tratar até 325 litros por segundo a longo prazo. A ETA contará com dois reservatórios de 1 mil metros cúbicos, centro de desidratação de lodo e Estação de Recalque de Água Tratada (ERAT).